Talita Miranda faz balanço do LARMS 2026: "esperávamos 200 participantes - e chegamos a 500 presentes ao Simpósio"

Talita Miranda faz balanço do LARMS 2026:

O X Simpósio Latino-Americano de Mecânica das Rochas (LARMS 2026), realizado em Brasília entre 26 e 28 de agosto, superou com folga as expectativas da organização. A avaliação é de Talita Caroline Miranda, presidente do CBMR, que acompanhou o evento desde a candidatura brasileira junto à ISRM.

"O LARMS foi um desafio grande, pessoalmente para mim, para a diretoria e para todo mundo que estava na organização, porque era um evento que nós esperávamos em torno de 200 pessoas e nós tivemos quase 500 inscritos", conta.

Foi também a primeira vez que o simpósio ocorreu em conjunto com o COBRAMSEG, o que garantiu à mecânica das rochas espaços próprios dentro da programação. "A gente teria espaços reservados especialmente para a mecânica das rochas, como palestras específicas e sessões paralelas muito específicas, tanto de petróleo quanto de mineração e infraestrutura."

Para ela, o saldo foi tão técnico quanto humano. "Além de ter muita gente, tecnicamente foi muito produtivo. Desde a colaboração com os chineses, que trouxeram muito da experiência deles, da tecnologia, até os nossos colegas latino-americanos, que trazem também a tecnologia deles, a vivência deles para diferentes situações em mecânica das rochas." O evento rendeu ainda, segundo Talita, muitas trocas de networking e o apoio de empresas presentes na feira durante toda a programação.

A mineração como grande impulsionadora

Um dos movimentos mais visíveis desta edição, na sua leitura, foi o protagonismo da mineração. "Nos outros eventos, nos simpósios brasileiros, a gente não tinha a mineração tão forte nos últimos anos. Ela vinha crescendo ao longo do tempo, mas agora veio como uma grande impulsionadora da mecânica das rochas."

A razão está nos desafios que se desenham à frente. "Até pelos desafios que nós, da mineração subterrânea, vamos passar a ter, com as cavas mais profundas e o aprofundamento da mineração para a mineração subterrânea."

Talita enxerga aí uma demanda profissional que atravessa todas as frentes da área. "Há uma demanda de profissionais em mecânica das rochas em todas as áreas: na infraestrutura, para falar de túneis e metrô; de pilares de ponte, de grandes edificações, de taludes; para petróleo. Mas na mineração, nos últimos anos, tem crescido muito."

"O Brasil não tinha, ou não tem ainda, uma grande e expressiva mineração subterrânea. E agora tem uma grande perspectiva de crescimento", observa. "Eu até brinco com meus alunos que está na hora de eles olharem para o lado e ver que a mecânica das rochas é uma disciplina da geotecnia muito interessante e que vai ter muitos atrativos profissionais, em breve, para a mineração."

Como o professor Manchao He chegou ao CBMR Lecture

Talita relatou também os bastidores da primeira edição da Palestra CBMR. O convite partiu de Sergio Fontoura, presidente eleito da ISRM, dirigido ao professor Manchao He, que também já foi vice-presidente da sociedade pela China.

"Ele aceitou fazer a palestra no LARMS, e nós o convidamos para ser nosso escolhido no CBMR Lecture, que seria a premiação do CBMR para uma figura de relevância e importância internacional em mecânica das rochas, para vir nos prestigiar aqui no Brasil."

Com o aceite veio também a delegação. "Com o convite aceito e a premiação, veio uma delegação grande junto com ele. Para nós foi de muita honraria, a gente se sentiu muito honrado com o prestígio deles, com o compartilhamento de informações e de técnicas, tanto de investigação quanto de construção e de avanço de modelagens."

Ela destaca o valor do encontro entre culturas técnicas distintas. "É muito legal ver outra cultura nos conhecendo, vendo como é o nosso evento, como ele é dinâmico, quais são as diferenças, quais são as coisas que eles querem aprender conosco e quais coisas a gente quer aprender com eles."

A presença do presidente da ISRM

O presidente da ISRM, professor Seokwon Jeon, acompanhou o evento do início ao fim, e não apenas o LARMS. "Desde o início, não só no LARMS, mas também no COBRAMSEG, no Luso-Brasileiro e no GeoJovem, ele esteve da abertura até o fim, prestigiou todos os eventos que ocorreram em paralelo conosco."

Ele também proferiu a ISRM Lecture, encerrando a programação técnica do simpósio. "Nos deu uma palestra técnica sobre a importância da ISRM, sobre os diversos comitês de estudos e comitês técnicos que existem, e sobre como eles vêm se preparando como sociedade para atrair os jovens e trazer futuros profissionais. Para nós foi uma grande honra."

RockBowl internacional

A edição 2026 do RockBowl também passou por mudanças significativas. "Foi uma edição internacional, então nós tivemos que mudar um pouco a forma do jogo. Todas as questões eram em inglês, todo o formato teve que ser modificado em função disso."

Outra novidade foi a abertura do patrocínio. "Este ano a gente abriu para mais empresas poderem se candidatar a patrocinar o jogo, para torná-lo mais diverso e mais atrativo em outras áreas da mecânica das rochas. A Vale se tornou nossa parceira este ano."

Para Talita, a competição cumpriu seu propósito. "Além de um jogo que vai ter um ganhador, ele também é algo dinâmico, divertido, em que as pessoas se divertem para saber seus próprios conhecimentos. O RockBowl cumpriu seu papel, que é de divulgar a mecânica das rochas para o público jovem, e eu acho que só tende a crescer."

Novidades já estão em estudo. "Toda vez que tem uma edição a gente tem novas ideias de aprimoramento, de versões diferentes. Quem sabe para a próxima a gente venha com algumas coisas para o público também interagir durante o jogo. Porque eu, do lado de cá, vi o quanto é angustiante. As pessoas ficam animadas e querem responder."

Da candidatura ao resultado

A trajetória do LARMS 2026 começou na gestão anterior do CBMR. "Durante a presidência do Massao, junto ao CBMR, eu era vice-presidente dele, e nós aceitamos concorrer junto à ISRM para trazer o LARMS para o Brasil", lembra Talita. "E quando nós ganhamos, o Massao continuou na presidência do evento, o que foi muito bom, porque tem muito mais experiência em organização de evento internacional e de eventos grandes. Nós fomos delimitando juntos como é que ia ocorrer o evento."

O resultado trouxe uma constatação que, para ela, deve orientar os próximos passos do comitê. "Para nossa surpresa, esses números de inscritos, o número de pessoas que nos procuraram, o número de atividades online nas redes sociais, de interação mesmo com a mecânica das rochas e com o CBMR, nos fez ver que não podemos mais fazer um congresso ou um simpósio brasileiro de mecânica das rochas tão pequeno. Porque a gente tem público, tem profissionais que querem saber mais, que querem contribuir mais. Nós temos muitos profissionais interessados e já trabalhando na área."

Um convite à comunidade

Ao fazer o balanço pessoal, Talita reconheceu o apoio recebido ao longo do processo. "Eu fui muito agraciada por ter trabalhado com o Fontoura na minha juventude e com o Massao durante a diretoria. Em todo o tempo enquanto estou de presidente do CBMR, eu tive dois homens que me deram muito apoio e também muita carta branca."

"É bastante trabalhoso, não vou negar, mas também é muito gratificante. Quando a gente vê o nível das palestras, encontra os colegas, vê tudo organizado e funcionando, é gratificante, dá aquele quentinho no coração."

Ela encerra com um chamado à comunidade. "Eu queria fazer um convite especial para você que participou do LARMS conosco, em nome do CBMR: que venha contribuir com o comitê, que venha se associar, que venha trazer mais energia, mais comitês técnicos com participação, com ideias, com sugestões de cursos e de palestras, para que a gente possa divulgar juntos a mecânica das rochas pelo Brasil todo."

Assista ao vídeo completo: