Marcos Massao Futai celebra número histórico do LARMS 2026

Marcos Massao Futai celebra número histórico do LARMS 2026

Com cerca de 500 participantes, o X Simpósio Latino-Americano de Mecânica das Rochas alcançou a maior marca de sua história. O balanço é de Marcos Massao Futai,  presidente do Comitê Organizador do evento e ex-presidente do CBMR, realizado em Brasília entre 26 e 28 de agosto.

"É uma grande satisfação falar sobre o LARMS. Nós estamos realizando aqui em Brasília o evento mais importante na área de mecânica das rochas na América Latina", afirma. "Tivemos um evento com quase 500 participantes, um número histórico para o LARMS, com uma sessão técnica muito robusta."

A programação reuniu 15 sessões técnicas, quatro mesas-redondas e nove palestras. Além de uma inovação que Futai destaca como marco institucional: a criação da Palestra CBMR, honraria de reconhecimento internacional destinada a um grande nome da área. A primeira edição foi proferida pelo professor Manchao He, membro da Academia Chinesa de Ciências, que veio ao Brasil acompanhado de uma ampla delegação de seu país.

 

"Se tornou efetivamente um evento internacional"

Para Futai, um dos aspectos mais marcantes desta edição foi a mudança de escala do simpósio. Concebido como um encontro latino-americano, e com forte presença de participantes da região e do Brasil, o LARMS 2026 ganhou outra dimensão com a chegada de quase 40 profissionais chineses.

"Apesar do evento ser da América Latina, tivemos também quase 40 participantes chineses. Então se tornou efetivamente não só um evento da América Latina, mas um evento internacional de mecânica das rochas", avalia.

Esse caráter foi reconhecido pela ISRM, que se fez presente com boa parte de sua diretoria internacional. "Nós temos a honra de ter aqui conosco o presidente da ISRM, o professor Seokwon Jeon. Vieram com ele também três vice-presidentes. O presidente eleito, professor Sergio Fontoura, também está aqui. Então uma parte do board internacional está em Brasília participando desse evento."

"O Brasil é um parceiro estratégico"

Futai enxerga na aproximação com a China um movimento de interesse mútuo, com fundamentos concretos de parte a parte. "A China está muito aberta para interações e ela tem interesse porque o Brasil é um parceiro estratégico."

Ele aponta duas frentes. A primeira é o minério de ferro: grande parte da produção brasileira vem da mineração, atividade diretamente vinculada à mecânica das rochas. A segunda são os metais críticos, presentes tanto na agenda chinesa quanto na brasileira.

"Eles têm uma tecnologia que estão desenvolvendo, e isso vai ser uma troca muito produtiva. Eles têm ali uma experiência e um volume de trabalho muito grande. E o Brasil tem, além dos recursos naturais, uma demanda por profissional."

"Um conhecimento que o Brasil não tem"

A escassez de mão de obra qualificada aparece como a principal preocupação em seu balanço. "Nós precisamos captar mais pessoas para trabalhar na área de mecânica das rochas. Em todas as áreas: infraestrutura, energia e agora principalmente em mineração."

O quadro tende a ficar mais crítico com uma virada em curso no setor mineral brasileiro. "O Brasil está partindo agora para minas subterrâneas. E isso vai exigir tanto dos profissionais, dos professores e dos futuros profissionais um conhecimento que o Brasil não tem e que cada um de nós vai ter que buscar para poder trabalhar nessas áreas."

É nesse contexto que ele situa o RockBowl, que nesta edição chegou reformulado e modernizado, com um número expressivo de equipes competindo. "É um show à parte dentro do LARMS. E isso motiva os jovens, atrai os jovens para que tenham interesse na mecânica das rochas, porque há um grande déficit no Brasil para atividades relacionadas à área."

Inteligência artificial, sensores e gêmeos digitais

O tema desta edição, inovação aplicada à mineração, à energia e à infraestrutura,  orientou a construção de toda a programação. "Diferentes temas da mecânica das rochas foram combinados para introduzir a inovação", explica. "Essa inovação veio através de temas como inteligência artificial, uso de sensores inteligentes, uso de digital twin. Tivemos um combinado de situações envolvendo pessoas e temas que gerou um ambiente muito promissor para desenvolver inovações dentro do CBMR e da ISRM."

Outro eixo atravessou as discussões: as mudanças climáticas. "Neste LARMS foi muito falado sobre efeitos de mudanças climáticas, sobre resiliência, sobre qual vai ser o cenário futuro das nossas obras em rocha, como é que a mecânica das rochas vai ser desenvolvida em ambientes mais agressivos de clima e de temperatura. E tudo isso vai sair daqui."

Integração entre comitês e entre gerações

 

 

 

 

 

 

 

 

ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤA realização conjunta com o COBRAMSEG, o GeoJovem e o Congresso Luso-Brasileiro permitiu reunir a comunidade geotécnica em suas diferentes frentes. Futai destaca em especial a parceria com o Comitê Brasileiro de Túneis e Espaços Subterrâneos (CBT), que trabalhou junto ao CBMR na organização de uma das mesas-redondas.

"Não só a integração entre os comitês, mas uma colaboração entre as diferentes comissões técnicas para gerar um conjunto de oportunidades aos participantes e dar mais visibilidade à ABMS, ao CBMR e à ISRM."

O encontro entre gerações e perfis profissionais aparece em seu balanço como resultado tão relevante quanto a programação técnica. "Tivemos jovens conversando com pessoas mais experientes, países diferentes mostrando o que têm em cada região. Isso faz com que tenhamos uma boa troca de conhecimento."

"Além disso, o mais importante: as pessoas aproveitaram o momento para fazer novos amigos, para ter novos contatos e também novas ideias, porque conversando com pessoas diferentes nós passamos a ter novas ideias para vencer os desafios do futuro."

Mais informações: larms2026.com

Assista à entrevista completa: