LARMS 2026 tem início em Brasília com Palestra CBMR e presença da maior delegação chinesa já reunida no país
Teve início nesta quarta-feira, 26 de agosto, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília, o X Simpósio Latino-Americano de Mecânica das Rochas (LARMS 2026). Promovido pelo Comitê Brasileiro de Mecânica das Rochas (CBMR) da ABMS, em parceria com a International Society for Rock Mechanics and Rock Engineering (ISRM), o simpósio ocorre no âmbito do XXII Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (COBRAMSEG), sob o tema "Mecânica das Rochas para um Futuro Sustentável: Inovação na Mineração, Energia e Infraestrutura".
Uma abertura de peso institucional
A cerimônia de abertura reuniu as principais lideranças das entidades envolvidas na realização do evento. ParticiparamTalita Miranda, presidente do CBMR; Marcos Massao Futai, presidente do LARMS 2026; Sergio Fontoura, presidente eleito da ISRM; Seokwon Jeon, presidente da ISRM; Esteban Hormazabal, vice-presidente da ISRM para a América Latina; Roberto Coutinho, presidente da ABMS; e André Brasil, presidente do COBRAMSEG.

A composição da mesa traduz um dos aspectos mais marcantes desta edição: o grau de envolvimento da ISRM. Além do presidente e do presidente eleito, o simpósio conta com a presença de três vice-presidentes da sociedade: Esteban Hormazabal (América Latina), Milorad Jovanovski (Europa) e Fengshou Zhang (vice-presidente geral).
Palestra CBMR: dos Alpes ao Himalaia
Após a abertura, o professor Manchao He proferiu a primeira edição da Palestra CBMR, distinção criada neste ano pelo Comitê para reconhecer profissionais de renome internacional com contribuições excepcionais à Mecânica das Rochas e à Engenharia de Rochas. Ele foi escolhido por unanimidade após avaliação técnica de uma comissão composta por especialistas brasileiros.
Acadêmico da Academia Chinesa de Ciências e presidente da Sociedade Chinesa de Mecânica das Rochas e Engenharia (CSRME), Manchao He dirige o laboratório-chave estatal de geomecânica e engenharia subterrânea profunda e é uma das principais autoridades mundiais em obras geotécnicas em condições extremas.
Sob o título "Rock Mechanics Challenges in the Himalayas", a palestra abordou um argumento central em seu trabalho: a mecânica das rochas clássica, desenvolvida sobretudo a partir das condições dos Alpes — como o Método Austríaco de Tunelamento, o NATM —, encontrou seus limites quando a engenharia chinesa avançou para a região do Himalaia e das montanhas Hengduan.
O contexto é radicalmente distinto. Ali, a colisão entre as placas Indiana e Euroasiática produz o que os engenheiros chineses descrevem como "cinco altos e dois ativos": alta altitude, alta intensidade sísmica, alta tensão geostática, alta pressão hidráulica e alta temperatura geotérmica, somadas a falhas ativas e à presença de permafrost, geleiras e encostas instáveis. São as condições enfrentadas em obras emblemáticas como a Ferrovia Sichuan-Tibete, a Ferrovia Qinghai-Tibete e a linha Lhasa-Nyingchi.
Entre as contribuições técnicas desenvolvidas para esse cenário, destacam-se o controle de grandes deformações em rocha mole, com a classificação dos desastres em tipos graduais e abruptos e o desenvolvimento de sistemas experimentais para estudar seus mecanismos, e a invenção pela qual é mais conhecido: os parafusos e cabos de ancoragem com coeficiente de Poisson negativo (NPR), capazes de grande alongamento e absorção de energia mantendo resistência constante. A tecnologia é especialmente adequada a zonas de alta tensão, sismos, deslizamentos e terrenos sujeitos a deformação lenta e contínua. Sua atuação abrange ainda o controle de rockburst, por meio do método de compensação de escavação, e a previsão de deslizamentos em cadeias de desastres.
Cerca de 40 profissionais chineses em Brasília
A delegação chinesa presente ao LARMS 2026 reúne aproximadamente 40 pesquisadores, professores e profissionais da indústria — a maior já reunida em um evento de mineração e mecânica das rochas na América Latina e a segunda maior delegação deste simpósio, superada apenas pela brasileira. Ao longo do primeiro dia, os participantes demonstraram satisfação por integrar o encontro no Brasil.
A presença tem peso que vai além dos números. A China é hoje a maior investidora estrangeira na mineração brasileira, com atuação em mineração subterrânea, a céu aberto e terras raras, e vem se apresentando também como fornecedora de tecnologia, com destaque para o mercado de tuneladoras, onde começa a rivalizar com os fabricantes europeus.
Programação segue até sexta-feira
O LARMS 2026 prossegue até 28 de agosto, com mesas-redondas sobre mineração, túneis e infraestrutura e o setor de energia, sessões técnicas paralelas, apresentações de pôsteres, a Sessão Especial sobre o ensino de mecânica das rochas, o CBMR Excellence Forum e a competição RockBowl 2026. O encerramento contará com a ISRM Lecture, proferida pelo presidente da sociedade, Seokwon Jeon.
Mais informações: larms2026.com