Tivoli Park
- Detalhes
- Categoria pai: Parques
- Categoria: Antigos
- Publicado em Quarta, 29 Julho 2009 21:00
- Escrito por Alberto de Otero
Os primeiros anos
O ano era 1972, não havia internet, câmera digital, vídeo game... Para falar a verdade, naquela época não havia nem vídeo cassete! A cidade não tinha grandes shoppings centers e a diversão dos cariocas era mais fora do que dentro de casa, sempre ligada à praia, cinema, futebol, jardim zoológico e alguns circos que vez ou outra chegavam à cidade. E foi de um desses circos que surgiu o Tivoli Park: o Circo Orlando Orfei.
Orlando Orfei, que já era famoso por causa de seu circo, resolveu continuar investindo no ramo do entretenimento e inaugurou o Tivoli Park da Lagoa, um parque sem concorrentes, pois o outro parque mais próximo era a Divertilândia que ficava em São Conrado, lugar que naqueles tempos não tinha um acesso tão fácil como hoje. O Tivoli nasceu em área nobre, numa posição privilegiada às margens da bela Lagoa Rodrigo de Freitas, fazendo um enorme sucesso assim que abriu.
No começo, o Tivoli não usava o sistema de passaporte, pagava-se uma entrada para o parque e as atrações eram cobradas à parte, mesmo assim bombava, filas enormes na maioria dos brinquedos, que para aquele tempo não eram poucos. O investimento de Orfei não foi modesto, e isso já podia ser notado só pela entrada do parque. Embora em 1972 não se usasse o termo “Parque Temático”, havia uma temática no Tivoli: a corrida espacial. A primeira bilheteria era toda decorada com pinturas de foguetes, naves e satélites. Como se prometesse uma viagem ao espaço a todos aqueles que por ali passassem, de certa forma essa promessa era cumprida, pois o tema continuava dentro do parque com vários foguetes e discos voadores nos carrosséis, além do “Sputinik” e o “Tele Combate”, outros dois brinquedos nos quais se podia “pilotar” uma nave que subia e descia em movimentos circulares. E também no enorme pula-pula, onde a decoração era baseada na lua, com a intenção de ambientar a garotada na gravidade zero vivida pelos astronautas. Não tinha como não dar certo em uma época em que a mídia explorava esse tema exaustivamente e uma boa parte da gurizada sonhava em se tornar um viajante do espaço.
No quesito velocidade, a principal atração era a pista veloz, um circuito oval onde se podia disputar uma corrida pilotando carros elétricos. Essa atração era uma das mais concorridas e a que tinha a maior fila de todas, pois entravam poucas pessoas a cada vez.
Como em todos os parques havia atrações para todas as idades.
O “Amor Express”, também conhecido por Bicho da Seda, era um trenzinho que girava em círculos em alta velocidade e em alguns momentos era coberto por uma lona, para que os casais pudessem ter alguns segundos de privacidade. Essa atração permaneceu no parque até seu último dia, porém logo no começo a lona foi retirada dando início ao primeiro boato que o Tivoli enfrentaria: estariam acontecendo assaltos quando a lona se fechava! Essa informação foi dada por um funcionário e nunca foi confirmada. Não convém dizer que tudo não passou de boato por um único motivo: uma vez retirada, a lona nunca mais voltou.
Outra atração que fazia muito sucesso entre os mais velhos era o Chapéu Mexicano, atração essa que permaneceu no parque por pouquíssimo tempo; nunca soubemos por qual motivo foi retirada e nem o que foi feito dela.
No quesito terror, o Tivoli começou com a famosa “Casa das Bruxas”, um labirinto escuro onde algumas “armadilhas” aguardavam o visitante no interior, tal como um chão que se movia, alguns fios de nylon pendurados para simular uma teia de aranha quando as pessoas passassem, um vento que vinha de baixo pra cima, entre outros. No interior não havia nenhuma figura aterrorizante e a parte externa era bem mais interessante do que a interna. Na verdade, o visual do Castelo por fora dava a impressão que lá dentro iríamos ver coisas aterrorizantes, mas na verdade só havia mesmo a escuridão, não era uma atração pra ser vista e sim para ser sentida. Esse castelo gerou alguns problemas ao Tivoli, sendo que o mais grave foi um relato de estupro que aconteceu já perto do fim do parque.
A outra atração na mesma linha de terror foi o Trem Fantasma, bastante interessante por ter três andares com duas varandas que levavam os visitantes à parte externa em dois momentos. A primeira versão tinha uma estrutura interior muito pobre, os monstros e companhia eram bastante rudimentares e pareciam ser feitos de papelão, mesmo assim fazia uma fila considerável, afinal, naquele tempo não deixava de ser uma novidade. Passados uns dois anos, toda essa estrutura interna foi reformada e aí sim, o trem fantasma passou a fazer sucesso. Os monstros, caveiras, múmias, crocodilos etc passaram a emitir sons e se tornaram mais convincentes. Por curiosidade essa foi a única vez que houve um investimento nessa atração e ela permaneceu assim até o último dia.
A terceira atração de terror não chegou junto com as duas anteriores, mas foi talvez a que tenha feito mais sucesso. Por volta de 1976, o Fantástico exibiu uma reportagem gravada em São Paulo onde se via a “aterrorizante” cena de uma moça se transformar em um gorila! Era nada mais nada menos do que Konga - A Mulher Gorila!!! Interessante foi o Fantástico ter dado uma ênfase bastante sensacionalista à matéria, o que fez com que mesmo alguns adultos acreditassem que aquilo era possível... Por incrível que pareça, no vídeo exibido nessa reportagem, não era só a criançada que corria da Konga, teve muito marmanjo correndo feito louco na hora do “Calma Konga!!! Volte Konga!!!” Aqui no Rio não foi diferente, vez ou outra tinha um “altinho” voando baixo no meio dos “baixinhos”. Essa atração sempre foi paga, mesmo no tempo que o Tivoli adotou o sistema de passaportes.
Não podemos deixar de falar nas duas autopistas, os famosos carrinhos bate-bate; havia um para adultos e outro infantil. E também tinha a Roda Gigante, que no Tivoli recebeu o nome de Roda Panorâmica, essa era privilegiada, pois do topo se via a Lagoa Rodrigo de Freitas de um lado e o Jockey Club do outro. Havia também várias barraquinhas de tiro ao alvo, jogo de argolas, corrida de cavalos movidos por máquinas de pinball e também guloseimas, como pipoca, maçã do amor e algodão doce. Mesmo com tanto sucesso, o Tivoli contava apenas com uma lanchonete, bastante simples, mas muito competente, conseguia atender a todos e seus sanduíches não deviam nada para nenhuma outra daquela época.
Entre as outras atrações, não podemos deixar de falar na Montanha Russa, no começo era apenas uma, do tipo Zyklon, idêntica a essa que pode ser vista no Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=p5xaiY0WK-w
Fez sucesso durante muito tempo, mas era preciso mais.
Os Anos 80
Sem sombra de dúvida foram os melhores anos do parque. No final da década de 70, algumas reformas já tinham acontecido, como a mudança da bilheteria, ampliação do estacionamento e a adoção do sistema de passaporte. Com isso se pagava a entrada e podia-se brincar o quanto quisesse em quase todas as atrações. Algo que era bem interessante e que chamava bastante gente ao parque eram os festivais. O mais famoso foi o “Festival do Sorvetão”, sempre acontecia no verão e, como o nome já dizia, todos que comprassem o passaporte tinham direito a um sorvete. Algumas atrações novas chegaram entre o fim dos anos 70 e o começo dos anos 80. Por volta de 77, chegava ao parque o Twister, que agradou a todas as idades, mas até o começo dos anos 80 foi a única novidade expressiva. As coisas começaram a mudar mesmo foi em 1980 e em 1981. Primeiramente foi o “Cinema 180 graus”, a lona em formato de concha onde eram exibidos filmes ao som de música que faziam com que o espectador se sentisse dentro da ação. No começo era paga, depois foi incluída no passaporte. O começo da década de 80 foi marcado pela febre da patinação, tanto que ao lado do Tivoli havia o Roxy Roller, um ringue de patinação que era propriedade de Ricardo Amaral. O Tivoli não ficou atrás e construiu um ringue de patinação no gelo. E também um Arcade, na época conhecido como Fliperama, que foi outra loucura da garotada nos anos 80.
Mas ainda faltava alguma coisa, principalmente se fosse algo bem radical...
E foi nessa hora que chegava ao Tivoli a “Montanha Espacial”, com duas inversões e uma velocidade superior a da antiga Zyklon. Durante um bom tempo só se falava nisso, todos queriam que ela chegasse logo e nada de acontecer... Acreditem se quiser, mas essa montanha-russa ficou retida por um tempo na alfândega! Nunca soubemos porque. Mas finalmente aconteceu! Em 1983, ela estreava com direito à reportagem da Glória Maria dando um giro nela e tudo mais. O parque estava cheio, ninguém conseguia ir uma vez só, saíam e entravam na fila de novo. A década de 80 estava garantida, e tudo ia muito bem para o velho Tivoli. Outra atração que também chegava dispensa apresentações: o Rotor. Por volta de 1984 também aparecia por lá a “Star”, uma espécie de roda gigante, só que os ocupantes ficavam dentro de pequenas “gaiolas” e podiam girar e ficar de cabeça pra baixo enquanto subiam e desciam.
Anos 90, o começo do fim
Mesmo depois de todo o sucesso da década de 80, o fim estava chegando para o Tivoli. Por mais que o “Sky Flyer”, hoje mais conhecido como Kamikaze, e a “Gaiola das Loucas” (Zipper oficialmente), que chegaram ao parque em 1990, tenham feito sucesso, começava uma fase sombria para o parque. O caso do estupro no “Castelo das Bruxas” e um acidente na “Gaiola das Loucas” comprometeram a credibilidade do parque. Não se via mais o Tivoli cheio de gente como nos anos anteriores. E sem público, não se tem receita e sem receita, não há como investir em inovações. O parque foi ficando cada vez mais vazio, chegando a ter que abrir à noite para festas onde era arrendado. Atrações novas, apenas duas: uma aventura de terror na tumba de Tutankamon, bem no estilo Konga, de levar susto e correr, e a outra era o Enterprise. Mas mesmo assim, o parque ainda se agüentava e ainda oferecia gratuidade para os maiores de 60 anos. Na entrada, havia uma placa dizendo:
“Homenagem do Tivoli Park aqueles que ontem trouxeram seus filhos e hoje trazem seus netos.”
Até que em dezembro de 1995, por ordem do prefeito César Maia, o parque foi fechado e retirado da Lagoa. Acabavam ali 23 anos de maravilhosas tardes de fim de semana que tinham sempre diversão garantida.
Alguns brinquedos foram para o Luna Park, em Nova Iguaçu, parque esse também de Orlando Orfei. A Montanha Espacial está reformada e em funcionamento no Mirabilândia de Recife com o nome de Super Tornado. E o Tivoli está apenas em nossas lembranças, nada mais. Quase não há fotos do parque no Google. Abaixo seguem dois links do Youtube onde se pode ver bem o parque, além de um vídeo com uma simulação da Montanha Espacial.
http://www.youtube.com/watch?v=DUeX1m6g6TM
http://www.youtube.com/watch?v=DeuV0Q-rFbY
http://www.youtube.com/watch?v=lt3aVE-shgc&feature=related
Atualização dos videos (acrescentado em 24/06/2010):
http://www.youtube.com/watch?v=6jRq0OvSb6I&feature=player_embedded
