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História das Montanhas-Russas

ImageTodo mundo, se nunca andou, sabe, ao menos, o que é uma montanha-russa. Mas quase todo mundo também, quando pensa em montanha-russa, imagina uma gigante de aço ou tem aquela visão clássica da montanha-russa com estrutura de madeira. O que as pessoas não imaginam é que as montanhas-russas surgiram, na verdade, no século XVI e, se hoje elas são maravilhas tecnológicas com dezenas de metros de altura, naquela época, elas eram bem diferentes do que se vê nos parques de hoje.

O que há de mais fantástico na história das montanhas-russas é a evolução por que elas passaram desde que surgiram até os dias de hoje. Como pequenos escorregas de gelo nas montanhas da Rússia fizeram tanto sucesso, que foram sendo desenvolvidas até se tornarem essa mania dos dias atuais. Hoje em dia, a montanha-russa mais rápida e mais alta do mundo atinge 205 Km/h e tem 138 metros de altura! Quem, olhando para a Rússia do século XVI, poderia imaginar que chegaria a esse ponto?

A maioria dos historiadores concorda que os primeiros indícios de montanhas-russas surgiram no início do século XVI nas montanhas da Rússia (daí vem o nome "Montanha-Russa"), a maioria nas imediações de São Petersburgo. Inicialmente, eram, apenas caminhos escavados no gelo das montanhas, por onde os trenós desciam. Depois, quando a coisa se tornou conhecida, surgiram as primeiras estruturas construídas especificamente para isso. Eram escorregas de madeira, algumas com até 23 metros de altura, cobertas de gelo por onde desciam os trenós. Tudo isso ficou mais elaborado quando a alta classe e a realeza russas adotaram a idéia e, nos festivais de inverno, passaram a construir dezenas desses escorregas lado a lado, atraindo milhares de visitantes.

Ninguém sabe ao certo quem pôs rodas nos carrinhos. Alguns historiadores dão o crédito aos franceses mas, segundo a maioria dos textos que eu já li, a primeira montanha-russa com carrinhos providos de rodas teria sido inaugurada em São Petersburgo, em 1784, alguns anos antes da idéia chegar a Paris, em 1804.

Em 1817, nas montanhas-russas "Lês Montagnes Russes a Belleville" (As Montanhas-Russas em Belleville) e "Promenade Aèriene" (Passeios Aéreos) foram usados, pela primeira vez, carrinhos "presos" aos trilhos, permitindo que o carrinhfo atingisse cerca de 64 Km/h e atravessasse pequenas colinas num percurso circular retornando ao ponto de partida. Os carrinhos tinham um eixo que passava por dentro de uma cavidade na lateral do trilho que os mantinha "presos" ao trilho. A Montanha Russa de Belleville inovava, ainda, por ser dupla, dois carrinhos podiam deixar a plataforma ao mesmo tempo, um para cada lado em percursos espelhados se tornando a primeira MR "Corredora".

Mas os franceses merecem ainda mais crédito. A primeira montanha-russa com looping foi inaugurada em 1846 no "Frascati Gardens", em Paris. Ela tinha 14 metros de altura e o looping tinha seu ponto mais alto a 4 metros do solo. A "Estrada de Ferro Centrífuga", como era chamada, foi testada com sacos de areia, copos d'água, vasos de planta e até macacos, antes de ser liberada para humanos. Ela foi importada da Inglaterra, onde foi construída uma semelhante, porém menor. A atração funcionou durante algumas poucas temporadas até sair de moda e cair no esquecimento. Uma outra "Estrada de Ferro Centrífuga" foi construída no "Circus Napoleon", mas foi rapidamente fechada após um acidente durante a fase de testes.

A primeira montanha-russa americana, considerada a precursora das montanhas atuais, foi a Mauch Chunk Switchback Railway, um trem de tirar carvão das minas da Pensilvânia, nos Estados Unidos, também chamada de Gravity Road (Estrada da Gravidade). Quando a mina foi fechada, em 1873, os trens passaram a ser usados exclusivamente para diversão. Mulas puxavam os trens até o topo da subida e desciam no vagão, junto com os passageiros que pagavam um níquel, cada, pelo passeio a 9,6 km/h. O sucesso foi tanto que, em 1874, a mina foi comprada pela "Jersey Central Railroad", que manteve o sistema de passeios pagos. Infelizmente, a mina foi fechada para sempre em 1929, quando o turismo foi reduzido drasticamente pela crise econômica dos Estados Unidos. Calcula-se que mais de 35 mil pessoas visitavam a Mauch Chunk Switchback Railway a cada ano durante toda a sua história. Ainda hoje, há ruínas dos trilhos e o local foi declarado monumento histórico em 1976.

Poucos anos depois da abertura da Mauch Chunk Railway ao publico, um homem chamado La Marcus Adna Thompson construiu a primeira montanha-russa fabricada no continente americano. A Gravity Pleasure Switchback Railway foi inaugurada em 1884. Era o início da transformação de Coney Island, Nova Iorque (EUA), numa área de entretenimento. A atração era, visualmente, semelhante aos escorregas russos, com dois trilhos paralelos e opostos. Cada visitante pagava um níquel pelo passeio a 9,6 km/h num percurso de cerca de 200 metros de extensão e 16,5 de altura com algumas pequenas colinas no meio. É interessante dizer que La Marcus Thompson não foi o primeiro a registrar patente de uma montanha-russa. Alguns anos antes, em 1878, Richard Knudson patenteou uma atração semelhante à de Thompson, mas que nunca chegou a ser construída.

Thompson recuperou os 1600 dólares de investimento em três semanas e decidiu entrar de vez no ramo de parques de diversão, sendo chamado por muitos de "O Pai da Gravidade".

Mas, como era de se esperar diante do sucesso, Thompson não deteve o monopólio por muito tempo e em 1885 um americano chamado Philip Hinkle criou o conceito de "lift hill", a primeira subida da montanha russa, com uma corrente para puxar os carrinhos até o topo. Foi Hinkle o primeiro a usar um motor (a vapor) para mover a corrente e puxar os carrinhos. Surgia aí, a terceira montanha-russa de Coney Island. Mas Thompson estava desenvolvendo a idéia de um tour temático e, em 1887, ele inaugurou a Scenic Railway, em Atlantic City, Nova Jersey. Novamente, a atração mais popular do mundo.

Em 1895, um homem chamado Paul Boyton trouxe o seu show de leões marinhos para Coney Island e foi, absolutamente, um fracasso. Boyton, então, decidiu construir uma atração para estimular os negócios. A atração era um escorrega para botes que terminava na mesma piscina do show. Foi chamada de Shute-The-Chutes e obteve um sucesso imediato. Assim, Boyton decidiu acrescentar mais atrações, entre elas, uma montanha-russa com looping chamada Flip-Flap e projetada por Lina Beecher. O lugar passou a ser conhecido como "The Sea Lion Park" (O Parque do Leão Marinho) e é considerado o primeiro parque de diversões. Boyton ainda recebe o crédito por ser o primeiro a utilizar um sistema de parque fechado com um único ingresso que permitia ao visitante andar em todas as atrações.

Outros parques surgiram em Coney Island. George Tilyou abriu o Steeplechase Park em 1897, cuja atração principal era a Steeplechase, que consistia em quatro trilhos com pequenas colinas por onde cavalos mecânicos movidos pela força da gravidade apostavam corrida. Edwin Prescott inaugurou outra montanha-russa com looping chamada Loop-The-Loop em Coney Island, em 1901. Carros com quatro passageiros passavam pelo looping vertical sem nada que os prendesse ao trilho, exceto a força da gravidade! Acredita-se que Prescott foi a primeira pessoa a cobrar ingresso para visitantes apenas olharem uma montanha-russa... Outra Loop-The-Loop foi inaugurada no mesmo ano em Atlantic City.

Enfim, foram mais de 30 montanhas-russas inauguradas na Coney Island entre 1884 e os anos 30. Até hoje, Coney Island é um marco do planeta montanha-russa. Em 2002, eu pude conferir pessoalmente que o lugar continua funcionando a todo vapor!

Em 1903, o "Sea Lion Park" foi comprado e expandido por Frederick Thompsom e Elmer Dundy. Mesmo com a remoção da Flip-Flap, o lugar se tornou, sem dúvida, o mais popular centro de entretenimento de Coney Island de todos os tempos: o Luna Park, que chamou atenção por ser iluminado por 250 mil lâmpadas (o que lhe deu o apelido de "Jardim Elétrico"). Coney Island tem, ainda, um sentido histórico que não pode ser esquecido: foi lá que o cachorro-quente foi inventado. Ao longo dos anos, muitos outros parques vieram e se foram e, com eles, muitas outras montanhas-russas também.

Nesse ritmo, chegamos ao início do século 20. Uma época de riqueza em que o homem dava um salto tecnológico e começava a testar seus mais altos limites. Uma época de descobertas e revoluções no mundo das montanhas-russas. Foi nesse cenário que surgiu a "Leap The Dips", um belíssima montanha-russa com layout de "figura de oito" projetada por E. Joy Morris e inaugurada em 1902. A Leap the Dips é, hoje, a montanha-russa mais antiga ainda de pé. Ela ficou fechada entre 1985 e 1999 e passou por uma reforma que consumiu cerca de 300 mil dólares recolhidos pela Leap The Dips Preservation Foundation. Hoje, a Leap The Dips opera a todo vapor!

Mas foram os Estados Unidos que mais chamaram atenção para o nosso "planeta montanha-russa". Lá, não havia quem não gostasse de montanhas-russas, ou "Roller Coaster", como esses brinquedos da engenharia são chamados por lá. E um dos maiores responsáveis por isso chamava-se John A. Miller. Miller, que foi engenheiro chefe da empresa de Thompson, patenteou mais de cem montanhas-russas e foi responsável por uma verdadeira revolução com seus inventos. Entre suas grandes idéias, ele patenteou o "sistema de cremalheiras" (aquele "clac" que você ouve quando o carrinho está sendo puxado até o topo da primeira colina), que impede o carrinho de rolar para trás na rampa elevatória (primeira colina, com a corrente pra puxar o carrinho), as rodas de fricção inferior (as rodas que ficam em baixo do trilho) e os freios na estação. Sem esses e muitos outros inventos de Miller, não seria possível construir montanhas-russas como as de hoje em dia.

Ainda na década de 20, chegava ao fim o domínio estrangeiro oficial na África. Havia terminado a primeira guerra mundial e o mundo começava a se reconstruir. O Brasil estava inteiramente mergulhado nessa boa maré. O Rio de Janeiro era considerado a "Paris do hemisfério sul". São Paulo se definia como o centro das atenções econômicas do país. A população vivia bem e começavam a surgir os parques itinerantes aqui também. Calcula-se que havia entre 1500 e 2000 montanhas-russas ao redor do mundo. Esse número é alto até para os dias de hoje.

Em 1920, Miller se uniu a Harry Baker, outro projetista de montanhas-russas, e a empresa deles construiu mais de 50 montanhas-russas em 3 anos. Em 1923, a sociedade foi desfeita e eles passaram a seguir caminhos separados. Em 1927, Baker inaugurou a montanha-russa mais famosa do mundo: a clássica "Cyclone", em Coney Island. Projetada por Vernon Keenan, a Cyclone foi construída em seis semanas e custou 100 mil dólares. Ela tem uma estrutura de aço e trilhos de madeira. É considerada "clássica" pela American Coaster Enthusiasts e é tão marcante que aparece, entre outros filmes, no Titanic, numa das últimas cenas, quando a Rose, já velhinha, está deitada (acredito eu, morta) na cama do navio. Após ela ter jogado o "coração do oceano" no mar, a câmera passa por cima de um móvel na lateral da cama, mostrando várias fotos. Entre as fotos, há uma da Rose, ainda nova, montada num cavalo em frente à Cyclone. A imagem é inconfundível. Também em 1927, Miller inaugurou a "Thunderbolt" também em Coney Island e que, infelizmente, foi demolida em 2000. Miller também construiu a "Racer", no Geauga Lake, e a "Screechin' Eagle", no Americana Park.

Os anos 20 contaram, também, com a colaboração de Harry Guy Traver, muito conhecido como Harry G. Traver. Traver foi um dos mais polêmicos projetistas de montanhas-russas. Suas criações são consideradas como algumas das mais belas montanhas, mas são também as mais aterrorizantes e perigosas. Traver trabalhou como engenheiro mecânico em várias firmas até que decidiu construir seu primeiro brinquedo para parques de diversões: o "Circle Swing". O brinquedo fez sucesso e ele decidiu entrar de vez no negócio criando centenas de outras atrações - algumas ainda se pode encontrar em parques dos EUA - com a "Traver Engineering Company" e obtendo dinheiro para construir o que deixaria seu nome para sempre na história: as montanhas-russas.

Dentre as montanhas-russas da "Traver Engineering Company", encontramos a Lightning, em Revere Beach, que ganhou fama de pavorosa desde que uma mulher, supostamente, teria ficado histérica e pulado para a morte no meio do percurso. Isso aconteceu na segunda noite de funcionamento da montanha-russa. Grandes multidões olhavam, mas poucos tinham coragem de andar nela. E o brinquedo que não dava lucro foi demolido em 1933, seis anos após sua inauguração. Era muito forte para o público comum...

ImageA montanha russa mais famosa de Traver é também uma das mais famosas do mundo. Ela tinha seu suporte feito de aço e os trilhos de madeira e unia várias manobras já usadas nos seus projetos anteriores, como descidas em espiral, hélice para baixo e trens com carros articulados, não mais um único carrinho. A Cyclone, erguida em Crystal Beach, no Canadá, é um marco na história das montanhas-russas. Ela era, absolutamente, aterrorizante e sua fama se espalhou por todo o mundo como uma das montanhas-russas mais extremas já construídas.

ImageO percurso de todas as três Cyclones construídas por Traver era basicamente o seguinte: uma curva ao sair da plataforma que levava à rampa elevatória, uma descida em espiral com cerca de 30 metros de altura, uma segunda colina de cerca de 25 metros de altura, uma descida abruta de 52° em curva pra esquerda, uma descida em espiral, freios de emergência, uma descida inclinada que levava a uma manobra em forma de 8 em alta velocidade, outra descida e uma série de pequenas colinas (saltos) sob a rampa elevatória, um caracol de 210° em alta velocidade sob a super-estrutura, um zigue-zague (elemento hoje chamado "trick track" - trilho de brincadeira em inglês), uma série de micro-colinas com cerca de 30 centímetros de altura e a seção de retorno à estação. É engraçado pensar que a Cyclone era considerada uma "montanha-russa de médio porte"...

Em 1938, a Cyclone foi reformada por Herb Schmeck & Philadelphia Toboggan Company para reduzir os efeitos de stress sobre a super-estrutura. Mas elas ficaram famosas mesmo pela polêmica que causam até hoje: alguns dariam qualquer coisa para ter a Cyclone de volta apenas por um dia, outros não andariam nela por nada. O ponto em questão é a segurança. Duas pessoas morreram durante os 40 segundos do percurso de 1 km desde que o carrinho se soltava da corrente até o retorno à estação: a mulher da Lightning, em Revere Beach, e um homem chamado Amos Wiedrich, que também pulou ou foi ejetado da Cyclone (em Crystal Beach) logo após a primeira descida e, segundos depois, foi atropelado pelo mesmo carrinho em que ele estava antes de cair. A Cyclone de Crystal Beach também ficou conhecida como a única montanha-russa do mundo a ter uma enfermeira de plantão para atender os feridos no percurso (mesmo assim eu tinha loucura pra experimentar!).

Segundo um funcionário do Palisades Park, não houve uma semana sequer em que a Cyclone tenha funcionado todos os dias. Problemas mecânicos e falhas estruturais provocavam dias de reformas e consertos. A Lightning e a Cyclone de Crystal Beach abriram em 1927. A Cyclone do Palisades Park abriu em 1928. A Lightning e a Cyclone do Palisades fecharam em 1933. A Cyclone de Crystal Beach durou até 1946, quando foi demolida por ser pouco popular e ter custos de manutenção astronômicos. Algumas partes da Cyclone de Crystal Beach foram usadas em outras construções ainda hoje em funcionamento nos Estados Unidos.

Infelizmente, em 1929 houve o chamado "crack" da bolsa de Nova Iorque. Os Estados Unidos entraram na maior crise da sua história e, lógico, em crise, a primeira coisa cortada da vida das pessoas é o lazer. Dessa forma, centenas de montanhas-russas foram demolidas. Sem contar que, durante a segunda guerra mundial, a estrutura de aço de muitas montanhas-russas foi transformada em armas. Por volta de 1960, havia, apenas, cerca de 200 montanhas-russas nos Estados Unidos.

Felizmente, depois da tempestade vem a calmaria e, em 1959, foi inaugurado, na Califórnia, o parque que mudaria a indústria e o conceito de parque para sempre: a Disneylândia.

Walter Elias Disney nasceu em Chicago (EUA) em 5 de dezembro de 1901. Filho de Elias Disney, canadense, Walt tinha quatro irmãos: Herbert, Raymond e Roy, mais velhos, e Ruth, mais nova. Todos tiveram uma infância não muito fácil. Mudaram de cidade e estado algumas vezes, sempre em busca de uma vida e um trabalho melhor. Walt chegou a ter que, ainda criança, acordar às 3:30 da manhã para entregar jornais.

Enfim, se dizem que o trabalho dignifica o homem, Disney é a prova concreta disso. Não desistiu um minuto sequer e, hoje, não é preciso dizer: seu sucesso é fato concreto.

Não existe prova concreta disso, mas diz a lenda que a influência de Disney no planeta montanha-russa começa nos anos 30. Segundo consta, ele levava suas filhas, então pequenas, nos parques de diversões locais e, sinceramente, não gostava nem se sentia seguro vendo os brinquedos enferrujados e o chão do parque sujo. Surgiu, então, na mente de Walt Disney, a idéia de criar um parque limpo, com atrações únicas e bem conservadas.

Como toda a vida de Disney, criar a Disneylândia não foi fácil. Foram anos de pensamentos, planejamento, observação e muito, muito trabalho. Tudo começou em 1952, quando ele criou a WED Enterprises (iniciais de "Walt Elias Disney"), empresa que se tornaria responsável pela criação da Disneylândia.

Por cinco anos, Disney manteve um programa na TV com os seus personagens anunciando a inauguração. No dia marcado, muitas pessoas falsificaram ingressos e o parque superlotou. Com a superlotação e o calor que estava fazendo, muitos brinquedos quebraram e muita coisa não deu certo. Mas Disney não desistiu. Foi consertando tudo e cresceu criando a Walt Disney Corporation que nós conhecemos hoje em dia. Infelizmente, Walt Disney faleceu durante a construção do Magic Kingdom, que foi inaugurado pelo seu irmão, Roy.

A montanha-russa Matterhorn Bobsled (na Disnefylândia) foi a primeira a utilizar trilhos de aço tubular, a base de toda a tecnologia das montanhas-russas atuais. Ela foi construída pela Arrow Development Company of Mountain View, que também projetou todo o sistema de transporte da Disneylândia. Karl Bacon, um dos três fundadores da Arrow, continuou desenvolvendo atrações e criou o primeiro "splash" do modelo atualmente conhecido, em 1963. Criou também a montanha-russa do tipo "Trem de Mina" em 1968. A Arrow virou a indústria de cabeça para baixo com a introdução da primeira montanha-russa com um elemento "saca-rolhas", no Knott's Berry Farm, na Califórnia. Depois disso as montanhas-russas nunca pararam de virar de cabeça para baixo.

Em 1975, a suíça Intamin AG, unida à alemã Schwarzkopf Inc., recebeu o crédito pela construção da primeira montanha-russa com looping desde a virada do século. Eles construíram a "Great American Revolution", no Six Flags Magic Mountain, Califórnia. Logo depois, construíram várias montanhas-russas similares. Dentre elas, a SooperDooperLooper (Hershey Park) e a Mind Bender (Six Flags Over Georgia).

A indústria da diversão continuou crescendo. Anton Schwarzkopf foi o homem que mais projetou montanhas-russas na história. Você pode encontrar exemplos da sua arte em quase todos os países do mundo. Ele morreu em julho de 2001. A Intamin continuou quebrando recordes e, em 1996, apresentou ao mundo, a Superman-The Escape, no Six Flags Magic Mountain, que atinge 160,9km/h. Em 1997 eles também construíram a Monte Makaya, no Terra Encantada - Rio de Janeiro, com oito inversões, que foi durante 4 anos a montanha-russa com mais inversões no mundo.

A Intamin teve dois engenheiros que decidiram seguir seu próprio caminho. Claude Bolliger e Walter Mabillard abriram a B&M Coasters e construíram mais de 30 mega montanhas-russas em 10 anos. Entre suas obras, estão a primeira montanha-russa invertida e a primeira sem-chão (Florless).

Em 2000, a californiana S&S Power, fábrica de torres free-fall, anunciou a criação de uma montanha-russa com o lançamento baseado num tiro de ar comprimido. E em 2002, a Arrow Dynamics inaugurou a "X", a primeira montanha-russa 4D do mundo (montanha-russa com um mecanismo que permite aos carrinhos girarem de cabeça para baixo mesmo sem o trem estar num elemento de inversão).

Hoje, temos montanhas-russas em que vamos sentados, de pé, deitados em posição de vôo, girando, sem chão e de costas. Temos montanhas-russas lançadas, reversas, gigantes. A imaginação humana é ilimitada e vamos continuar forçando os limites da gravidade. Só a física e o corpo humano nos dirão qual é o limite.

Baú do CBMR

Retrospectiva 2009

31 de dezembro de 2009... Último dia não só do ano, mas também da década! Uma década que foi esperada com um certo receio, afinal, quem não lembra daquelas famosas previsões de que o mundo acabaria na virada para o ano 2000? 10 anos se passaram... e estamos aqui cada vez mais fortes.

Infelizmente, não dá para fazer uma viagem pelos últimos 10 anos, mas podemos dar um volta por 2009 e recordar tudo que aconteceu no mundo dos parques de diversões ao longo destes últimos 365 dias. Vamos?

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